
O presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN), Roberto Serquiz, adotou uma postura firme e técnica ao comentar o recente anúncio dos Estados Unidos sobre o aumento das tarifas de importação de produtos brasileiros. Em entrevista coletiva concedida na manhã desta quinta-feira (10), na Casa da Indústria, Serquiz detalhou os potenciais efeitos da medida sobre setores estratégicos da economia potiguar.
A decisão do governo norte-americano estabelece uma elevação para 50% nas tarifas de diversos produtos importados do Brasil, a partir de 1º de agosto. Para o Rio Grande do Norte, a mudança preocupa especialmente devido à forte presença de produtos como sal, pescado, frutas, petróleo e minérios entre os itens exportados para o mercado americano.
“O sal, por exemplo, perde completamente a competitividade, já que nossos concorrentes continuam pagando tarifas de 10%. Isso pode comprometer a performance do setor e gerar efeitos em cadeia, como aumento da inflação e perda de empregos”, avaliou Serquiz.
Segundo dados do Observatório da Indústria Mais RN, o estado exportou, apenas no primeiro semestre de 2025, cerca de US$ 67,1 milhões em produtos para os Estados Unidos — um crescimento de 120% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse desempenho reforça a importância da pauta externa para a economia do estado.
“Estávamos em ritmo de crescimento, às vésperas da safra da fruticultura, e agora temos um cenário de incertezas. Por isso, é fundamental que haja diálogo entre os governos brasileiro e americano”, destacou.
A FIERN já está em articulação com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) para avaliar com mais profundidade os impactos da medida e buscar caminhos para preservar os setores mais atingidos. Para Serquiz, a atuação conjunta é essencial neste momento: “O anúncio é recente, mas já estamos trabalhando com dados e interlocução para acompanhar de perto os desdobramentos.”



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