
O número de municípios brasileiros que subsidiam empresas de ônibus dobrou desde a pandemia, aponta anuário divulgado pela NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos).
Conforme a publicação, em 2019, eram 120 cidades que injetavam recursos para ajudar a custear o transporte público sobre pneus. Em maio (dado mais recente), o número cresceu para 241.
Nas capitais, a evolução foi um pouco maior, saltando de 9 para 20 -alta de 122%.
Mudança de comportamento a partir da pandemia, quando se começou a trabalhar mais em casa sem necessidade de deslocamentos, e avanço de serviços por aplicativo, que tiraram as pessoas dos ônibus, mais o envelhecimento populacional (com consequente crescimento na gratuidade das passagens para idosos), e queda na prestação de serviço, estão entre as causas para o cenário atual, com prefeituras colocando cada vez mais dinheiro para bancar o custeio de concessionárias.
O documento relaciona o crescimento dos subsídios à falência do modelo de remuneração, amplamente utilizado até o ano de 2019, que tinha a receita auferida com a cobrança das passagens como a única fonte de recurso para o custeio do serviço.
O número de passageiros transportados, que caiu mais de 80% nos piores momentos da pandemia em todo o país, diz o anuário, ainda está distante de retomar os níveis verificados antes, “apesar de esforços para recuperação”.
Há três anos, afirma, a demanda do setor oscila na faixa entre 80% e 86% do cenário anterior a 2019.
Em todo o país, somente Brasília e Goiânia conseguiram atingir 100% dos passageiros transportados antes da pandemia.
“Hoje, os subsídios cobrem, em média, apenas 30% dos custos do sistema no Brasil, índice ainda distante dos 50% praticados, na média, em países europeus”, diz a NTU.
Existem atualmente 154 cidades com tarifa zero (eram 41 em 2019), sendo que em 127 delas o benefício é válido em todos os dias da semana e para todos os usuários.



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