“Muita gente acha que o município está defendendo a obra de forma cega, que não vê nenhum problema. Não, pelo contrário. Reconhecemos pelo menos quatro grandes desafios”.

As palavras são de Thiago Mesquita, secretário de Meio Ambiente e Urbanismo de Natal (SEMURB), ao admitir que a Prefeitura de Natal precisa melhorar a engorda de Ponta Negra, de modo que a população possa usufruir ao máximo da praia, como resultado da total eficácia da intervenção.

Ao BNews Natal, além de revelar as principais batalhas, o secretário também abordou temas polêmicos que envolvem a engorda de Ponta Negra, especialmente críticas que vieram à tona juntamente com as chuvas que caíram sobre a capital potiguar nos últimos dias. 

O detalhamento resultou em uma série de reportagens acerca do tema. Na primeira matéria, publicada na sexta-feira (01), Mesquita explicou o processo de licenciamento ambiental e negou ter havido invasão ao prédio do IDEMA. Ele também disse que não houve qualquer tentativa de pressão para que o órgão acelerasse a liberação das licenças ambientais exigidas para o início das obras.

Na segunda matéria, publicada no sábado (02), foi a vez de o secretário defender a eficácia dos chamados “espelhos d’água”, que têm surgido na faixa de areia. Ele falou também da qualidade dos sedimentos retirados do fundo do mar para a execução da engorda.

A engorda de Ponta Negra

A engorda da praia de Ponta Negra — obra que custou aproximadamente R$ 100 milhões em recursos federais e municipais — cobriu cerca de 4 km de orla, do Morro do Careca até o início da Via Costeira.

Ao todo, foram utilizados mais de 1 milhão de metros cúbicos de sedimentos, retirados de uma jazida localizada no fundo do mar, a cerca de 10 km de distância da costa. A intervenção aumentou a faixa de areia da praia em aproximadamente 100 metros na maré baixa e 50 metros na maré cheia.

Rodolitos na areia, barreira no quebra mar, cor da areia e espelhos d’água são aspectos que precisam melhorar

Como o secretário adiantou, são quatro os grandes desafios que a Prefeitura de Natal precisa vencer.

“O primeiro são aqueles rodolitos na areia, que ainda continuam uma parte lá. Já melhorou muito com a limpeza mecanizada. Nós vamos intensificar ainda mais a limpeza mecanizada, mas já houve um avanço em relação à presença daqueles materiais calcários que vieram da jazida do fundo do mar, que é normal e é encontrado em qualquer jazida, e que nós já avançamos muito”, afirmou.

Rodolitos são algas calcárias esbranquiçadas que parecem pedras. Eles surgiram na areia da praia de Ponta Negra como consequência da engorda. O material é oriundo do fundo do mar e causa incômodo aos banhistas. Desde fevereiro do ano passado que a Prefeitura de Natal vem realizando uma limpeza mecanizada para remover os rodolitos da areia, especialmente próximo ao Morro do Careca.

“O segundo aspecto é a entrada e saída da água. A DTA Engenharia, quando executou a obra, o projeto executivo assim previsto, licenciado pelo IDEMA, você tinha que colocar uma berma, uma proteção, um talude, uma barreira de 3.05 metros de altura, próximo onde o mar quebra, para poder garantir ali a eficiência do aterro hidráulico por anos. Então, obviamente, a entrada e saída do mar, ela requer mais cuidado do que anteriormente. Isso tem sido suavizado cada vez mais. Quanto mais se passa o tempo, mais vai se normalizando, como já está bem normalizado próximo ao Morro do Careca, próximo à área dos hotéis. Então, isso também foi um desafio que está acontecendo”, destacou. 

O terceiro aspecto, ainda de acordo com Mesquita, é a cor da areia. Segundo ele, muita gente fala que a areia da praia está mais escura, que é uma areia suja. “A areia nem tá suja nem escura. A areia é branquinha, como era a areia da praia antes. A areia atual estava há milhares de anos no fundo do mar, em uma jazida profunda e com muita umidade. Quando estava sendo feita a engorda, havia um volume de água junto com areia. Então, quanto mais passa o tempo, quanto mais acontece o processo de evaporação natural, o sol sobre a areia, vai acontecendo uma normalização da cor da areia”, afirmou. 

E o quarto aspecto? “São os espelhos d’água. Por mais que seja uma solução de engenharia, por mais que tenha melhorado demais a requalificação da drenagem, evitando a descida acelerada da água e o arrasto do material, por mais que a capacidade de infiltração seja rápida, em grande parte, em menos de 24 horas, o município está trabalhando para melhorar ainda mais a drenagem e ampliar a capacidade de retenção de água antes de ela chegar no aterro hidráulico”, explicou. 

“Isso vai fazer com que esses espelhos de água sejam cada vez menores e que sejam cada vez menos extensos para melhorar ainda mais esse processo social, visual, de quando chove em Ponta Negra”, acrescentou o secretário.

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