A mais recente declaração de Kelps Lima contra o ex-governador Robinson Faria levanta um questionamento político relevante: faz sentido atacar publicamente nomes que integram a mesma federação partidária e que, em tese, deveriam atuar de forma coordenada para fortalecer o projeto eleitoral?

Ao classificar Robinson como “o pior governador do Rio Grande do Norte” e colocá-lo, ao lado de João Maia e Benes Leocádio, como um de seus principais adversários, Kelps acaba alimentando um desgaste interno que tende a beneficiar concorrentes de outros grupos políticos.

É natural que existam diferenças de opinião e históricos de divergência entre lideranças. No entanto, em um momento de pré-campanha, quando a federação União Brasil/PP busca construir uma nominata competitiva para a Câmara Federal, a estratégia de confrontar aliados em praça pública parece pouco produtiva e politicamente equivocada.

Na prática, esse tipo de discurso enfraquece a unidade do grupo, cria ruídos desnecessários e dificulta a construção de uma narrativa coletiva. Em vez de concentrar críticas em adversários externos, Kelps opta por mirar figuras que compartilham o mesmo espaço político-eleitoral, o que pode gerar desconforto entre lideranças e eleitores da própria federação.

No jogo político, divergências fazem parte do processo democrático. Mas transformá-las em ataques públicos contra parceiros de chapa pode custar caro na busca por um projeto eleitoral coeso e competitivo.

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